Falsificação e Montagem de Óleos Carreadores
  
 

  


Empregos dos óleos essenciais

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A Falsificação e Montagem
de óleos Carreadores


            Esta matéria vem para alertar sobre o sério problema que está acontecendo atualmente com os óleos carreadores empregados na massagem existentes no mercado. Em torno de 90% de todos os produtos comercializados no mercado são falsos e muitos são montados a partir do óleo de soja.

                                                                Por Fábián László


            Óleos carreadores são os óleos empregados dentro da massagem como veículos para os óleos essenciais serem diluídos e poderem penetrar pela pele. Têm a função também neste caso de facilitar o deslize das mãos na massagem. Eles costumam ser conhecidos como óleos base, gorduras (fat oils) e podem ser de origem vegetal (sua grande maioria), animal e mineral (derivados do petróleo). São bem diferentes dos óleos essenciais, pois estes últimos não possuem em sua constituição ácidos graxos (gorduras) e portanto não rançam, diferente dos óleos carreadores.
            Os óleos carreadores são empregados pela humanidade há milênios, tanto na culinária, quanto na estética e medicina. Já os egípcios, chineses e indianos há mais de 6.000 anos atrás extraiam óleos vegetais por prensagem utilizando-se para isso de primitivos métodos. Hoje a tecnologia avançou, e não se utilizam-se mais de pedras ou pilões para socar e obterem-se os óleos carreadores, porém com a tecnologia desenvolveram-se também os métodos de adulteração e falsificação destes produtos, pois alguns, dado à sua dificuldade de obtenção, parecida com a de alguns óleos essenciais, chegam a custar muito caro e serem escassos para suprir a demanda do mercado mundial.
            Para aqueles que estudam aromaterapia não é novo citar aquelas conhecidas indicações do óleo de amêndoas como hidratante para pele, as propriedades regeneradoras do óleo de germe de trigo ou auxiliares na diminuição das estrias do óleo de semente de uva mas, será que realmente eles funcionam?
            Sim, muitas destas propriedades são válidas, algumas poucas são exageros, mas o problema não está aí, está na verdade é se o óleo de semente de uva ou de germe de trigo que você está usando é de verdade. Nós falamos isso por que através do contato com diferentes fornecedores obtivemos a mesma e unânime informação: a maior parte de tudo o que se acha no mercado de óleos carreadores é montado, é falso! O que quero dizer com montado é que os produtos são totalmente feitos, e não obtidos da matéria prima original da qual levam o nome.
            Um de nossos contatos, o qual não citaremos seu nome por motivos éticos e de anonimato dado a ele possuir uma grande empresa no ramo de óleos e essências, nos informou que durante muito tempo esteve trabalhando com o óleo de semente de uva e amêndoas no mercado brasileiro proveniente de uma empresa de SP. Normalmente ele fechava negócios de caminhões com 10 toneladas deste produto com empresas grandes principalmente na área de cosméticos e muito conhecidas (muitas inclusive com comerciais na tv). Mas arremeteu-lhe uma dúvida, como pode o Brasil produzir óleo de amêndoas se aqui não existem amendoeiras plantadas para extração? Como pode o mesmo produto custar tão barato se fosse importado? Foi aonde ele tentou descobrir o que era o óleo de amêndoas que ele vendia. O início da suspeita era o óleo de abricot, mas com muita pesquisa, cutuca de cá, pergunta de lá, descobriu que praticamente TODO o óleo de amêndoas dentro do mercado brasileiro é montado a partir do óleo de soja. Através de solventes como o hexano, retiram-se alguns ácidos graxos e o cheiro do óleo de soja, e montam com o ácido oléico obtido, o óleo de amêndoas. O mais incrível de tudo é que o mesmo óleo possui laudo técnico, às vezes de faculdades e vêm com nome botânico (não da soja, mas da amendoeira) alegando sua qualidade. Isso causou um problema de ética pessoal tão grande para este nosso fornecedor que ele parou de vender estes produtos e hoje trabalha com pouquíssimos tipos de carreadores. Ele foi o único até o momento que encontramos que preferiu prezar pela honestidade do que pelo lucro!
            Quanto ao óleo de semente de uva, entramos em contato já há um bom tempo com um produtor na França, que inclusive produz vinhos Chardonnay maravilhosos e descobrimos que para cada 250ml de óleo de semente de uva eles gastam 1 tonelada de semente na prensagem. Outros que contatamos afirmaram o gasto de 1 tonelada por litro de óleo. Imagem então a quantidade de videiras que deveríamos ter plantada ao redor do mundo para suprir só a demanda do mercado brasileiro, e o que não dizer do próprio mundo?! O produto sai, portanto assim muito caro. No Brasil ainda não vimos ninguém produzir óleo por prensagem das sementes de uva, o que já é um projeto e proposta de parceria com um produtor de óleos essenciais no Sul do Brasil por parte nossa para produzir brevemente este óleo. O que temos visto aqui é óleo de semente de uva montado a partir do óleo de soja ao qual é adicionada clorofila para dar o tom esverdeado natural do mesmo. Isso quando não estamos falando do absurdo do óleo mineral tingido de roxo e com essência de uva e que algumas farmácias chegam a vender como natural! A mesma coisa está sendo feita com o óleo de germe de trigo e mais uma série de outros.
            Chegamos a nos perguntar neste ponto, e a vigilância sanitária? E os órgãos de controle? Bem, não entraremos no mérito de julgar, mas supomos que o esquema é o mesmo daquele que manda na política brasileira, onde tem dinheiro, tudo pode! É como no escândalo da SUDAM, das contas na Suíça, desvios de dinheiro, etc. Entrou dinheiro, a justiça fica cega! E assim, centenas de farmácias homeopáticas, de manipulação e drogarias em todo o Brasil vendem estes óleos, assim como muitos "ditos óleos essenciais" como produtos naturais, verdadeiros e puros. Agora é importante frisar que a grande maioria destas farmácias não sabe que o que estão vendendo é falso, acabam pecando pela inocência, pela confiança. Esta realidade de produtos montados é visível em outros países e não é um mérito só do Brasil. Ela existe nos EUA, Europa e Ásia. A diferença é que em alguns (somente alguns friso) países destes continentes as exigências são maiores pelos órgãos de controle.
            A diferença entre um produto natural e "real" para um falso e "montado" surge inicialmente no preço. Por exemplo, estivemos orçando com algumas fazendas produtoras de óleo de amêndoas nos EUA e outros países e notamos que o seu custo em dólar lá já sai mais caro do que é vendido aqui no Brasil. Como alguém pode importar um produto e vendê-lo por menos da metade do preço de custo. Algumas marcas que vendem o produto com toda uma especificação e certificação de pureza e tradição, na verdade vendem uma mistura deste óleo de soja com uns 2 a 5% do óleo de amêndoas verdadeiro. Isso quando há esta diluição que normalmente nunca acontece. Uma informação extra e de interesse é que o óleo de amêndoas (mesmo sem refino) não possui cheiro, e perguntamos: como alguns distribuidores deste produto conseguem vender um óleo de amêndoas com cheiro de castanha? Que milagre eles fazem? O que estariam vendendo? Outras questões que surgem aqui são a respeito da diferença entre produtos refinados, não-refinados e óleo mineral. Todas estas dúvidas são ativas na mente da maioria dos aromaterapêutas. A primeira a ser respondida seria quanto ao óleo mineral, um produto derivado do petróleo. Primeiro, é unânime pela maioria dos estudiosos e pessoas que trabalham com óleos essenciais que o óleo mineral dificulta a penetração dos óleos essenciais pela pele por ter um efeito "entupidor dos poros". Segundo, quanto aos óleos refinados e não-refinados existem diferenças marcantes, em alguns casos tão intensas que interferem na eficácia terapêutica do produto em nosso corpo que pode chegar até a não existir se o óleo foi processado.
            O objetivo de refinar os óleos carreadores é para torná-los mais bonitos e agradáveis para a indústria, principalmente cosmética. É retirado dos óleos pelo processo de refino os óleos essenciais que lhe conferem cheiro, os carotenóides e outros pigmentos naturais que lhe conferem cor e com isso também todas as vitaminas e sais minerais presentes no óleo. Ou seja, se o óleo tiver que ter algum efeito será somente pelos ácidos graxos de sua constituição. Em alguns casos os ácidos graxos são o fator mais importante no efeito terapêutico do óleo, como é o caso do ácido láurico do óleo de babaçu ou óleo de côco, que possui ação anti-viral e estimulante da formação de linfócitos (células de defesa de nosso organismo). Mas em alguns casos, na verdade em muitos, o refino retira do óleo todas as propriedades benéficas que o óleo possui, suas vitaminas, sais e óleos essenciais, isto o torna um óleo "morto", e seu uso dentro da cosmética acaba sendo feito mais por interesse de marketing, pois é bonito ouvir falar que um sabonete tem óleo de buriti, amêndoas, germe de trigo ou semente de maracujá. Na verdade vende mais! O mesmo tem acontecido com outros produtos, como por exemplo, papel higiênico com vitamina E, shampoo com código genético vegetal ou ácido dexorribonucleico (DNA), e mais outras aberrações. Na era dos clones, da genética, um shampoo com DNA chama mais atenção, assim como com a tão falada ortomolecular, vitamina E em papel higiênico quem sabe pode aumentar as vendas. O grande X da questão é se funciona. Existem dois problemas com os produtos contendo óleos carreadores, o primeiro é se o óleo não sofreu refino, o que já foi falado. A segunda questão é se a dosagem que o produto possui do óleo é suficiente para que alguma ação possa existir. Uma cirurgiã plástica, que já foi nossa aluna, afirmou que a maioria dos cremes presentes no mercado não possuem o teor mínimo de seus princípios ativos para fazer algum efeito, são na verdade uma enganação. A vitamina E por exemplo deve estar presente num teor mínimo de 0,5% e na maioria das vezes não tem chegado a isso. Infelizmente nenhuma destas informações são repassadas ao público e nenhum órgão se preocupa em manter controle disso em nível de mercado.
            Há a alegação por parte de alguns aromaterapêutas que os óleos carreadores ideais para uso devem passar por refino, pois puros podem ter a presença de fungos. A questão é que alega-se que estes fungos podem fazer mal para a pele, só que não se vê nenhum índio da Amazônia tendo problemas com o uso de buriti, murumuru ou outros óleos por serem sem refino. Não conhecemos nenhum caso deste tipo de problema em literaturas ou em referências científicas. Portanto esta, provavelmente não é uma explicação que salve os refinados e gere uma maior preferência a eles. Na verdade, os principais benefícios das diversas vitaminas e sais presentes nos óleos só estão presentes em óleos sem refino.
            O Brasil possui um grande potencial para produção de óleos de oleaginosas, temos dezenas, ou melhor centenas de tipos de árvores que produzem castanhas exóticas na Amazônia e que não são exploradas hoje em dia. Os milhares de hectares de plantações de côco, não produzem este óleo e a única empresa que o faz no nordeste, produz dos restos, um óleo que só serve para a indústria automobilística ou farmacêutica, após muito processamento. Poderia-se produzir no Brasil óleo de abacate, caroço de manga, de jaca, investir pesado na produção de manteiga de cupuaçu, mas nenhum destes produtos é explorado ainda devidamente. Aquilo que realmente poderia ser bom é deixado de lado e substituído por produtos alterados e muitas vezes sem função terapêutica. Inclusive alguns dos poucos produtos que temos encontrado hoje no mercado e que o Brasil produz já estão sendo mexidos. Um exemplo foi um problema que tivemos com o óleo de semente de maracujá e a manteiga de cupuaçu há um tempo atrás.
            Fizemos a compra de maracujá e cupuaçu de duas empresas que vendem este tipo de produto e eram totalmente diferentes entre si, tão diferentes que suspendemos sua venda por um bom tempo. Com muita dificuldade entramos em contato diretamente com o produtor e ficamos sabendo qual era o óleo e a manteiga puros. O outro produto que adquirimos é processado para tirar a acidez do óleo, refinado, adicionado outros óleos vegetais para diluição e pelo que supomos até essências para dar um cheiro novo. Argumentamos isso com o produtor e a empresa e a resposta foi que o óleo tem que ser "padronizado" para entrar no mercado, pois quando natural pode sofrer muitas variações conforme a safra, época de produção no ano, região, subespécie da planta, etc, e isso pode causar problemas na indústria, como diferenças de cheiro no sabão, shampoo e outros produtos que utilizam estes óleos. Outro produto que vimos isto acontecer foi com a andiroba, em época de frio, assim como o óleo de abacate, ele turva-se de branco e chega a endurecer. Para aumentar seu ponto de fusão e evitar este inconveniente, adiciona-se a ele outros óleos vegetais que lhe dão uma textura mais líquida e o óleo acaba sendo "padronizado".
            Chegamos então à conclusão que no caso de produtos que não há produção no Brasil era preferível ter em mãos uma matéria-prima mais cara, importada, mas que condissesse com a verdade, do que fazer como a maioria já faz no Brasil, virar o rosto para o lado. Mas boas notícias nos chegam, é possível que brevemente venhamos a ter produção de óleo de polpa de abacate no Brasil, já fomos contatados por um produtor. E a partir de uma maior conscientização do público para estes problemas discutidos aqui, pois o objetivo desta matéria é esse, uma maior exigência de pureza e honestidade no mercado por parte das pessoas farão com que não só possam ser melhoradas estas questões em nosso meio, mas acabem surgindo indivíduos mais conscientes

e de interesse sincero na produção de óleos vegetais e essenciais de nossa própria flora, talvez a mais rica do mundo.


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